Bebidas e TV comemoram efeito Copa

Segunda-feira, 09 de Junho de 2014 em Geral

 

Depois de muita discussão veio o veredito: vai ter Copa, sim, e os fabricantes de televisão, bebidas e alimentos estão entre os mais beneficiados pela realização do evento esportivo no Brasil. Por outro lado, os setores de vestuário e de eletroeletrônicos não têm muitos motivos para celebrar. Entre as categorias com bons resultados, destaque para o segmento de televisores. A paixão dos brasileiros pelo aparelho e a oportunidade de acompanhar os jogos do mundial usufruindo de novas e avançadas tecnologias elevaram a demanda no varejo.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam um aumento de 51,6% na produção de itens da linha marrom no primeiro trimestre de 2014 ante o mesmo período do ano passado. Os aparelhos de TV são responsáveis por uma boa parcela desse mesmo volume. Já o presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Lourival Kiçula, afirma que nos primeiros quatro meses deste ano foram vendidos 5,7 milhões de televisores, alta de 46% ante o mesmo período de 2013, quando o setor comercializou cerca de 3,9 milhões de aparelhos de TV.

"Podemos fechar 2014 com 16 milhões de televisores vendidos. No ano passado, esse número chegou à casa dos 14,8 milhões", diz Kiçula em entrevista ao DCI. No Polo Industrial de Manaus, casa de gigantes deste setor, como a Semp Toshiba, a movimentação também foi bem expressiva. Para o primeiro trimestre deste ano a empresa já projetava um nível de atividade 10% maior do que o mesmo período do ano anterior. De acordo com o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, em decorrência do mundial, a produção de televisores no polo crescerá 5% em 2014 ante 2013.

Bebidas - O segmento de bebidas também observou um importante avanço na produção nos três primeiros meses deste ano. De acordo com o IBGE, no primeiro trimestre o crescimento chegou a 2,8%. A alta pode ser explicada pelo otimismo dos empresários com o potencial de consumo associado ao evento. Um estudo da Nielsen apontou que 63% dos brasileiros declararam que consomem algo enquanto assistem esportes na TV. A pesquisa ainda aponta os três produtos mais citados pelos entrevistados. Em primeiro lugar aparecem os refrigerantes (43%), seguidos pelas cervejas (37%), pela pipoca (37%) e salgadinhos (22%). Ainda de acordo com a Nielsen, a última edição da Copa do Mundo, realizada em 2010, na África do Sul, elevou em 15% as vendas de cerveja no Brasil.

A procura movimentou R$ 970 milhões no período. Já as vendas de refrigerantes cresceram 10%, somando R$ 500 milhões. Entre as empresas otimistas com as oportunidades trazidas por esse evento estão o Grupo Petrópolis, dono da Itaipava, e a Bamberg.

Para o diretor de mercado do Grupo Petrópolis, Douglas Costa, as vendas podem crescer entre 15% e 20% durante o mundial. "Nós dependemos da questão climática, mas o evento acabará movimentando o consumo, principalmente, o consumo em casa", afirma o executivo ao DCI. A Bamberg também aposta no crescimento do consumo no lar. "O maior aumento da demanda na Copa do Mundo virá desses consumidores. Eles têm entre 30 e 40 anos e por conta da violência e da Lei Seca preferem organizar os amigos em casa para tomar cerveja", afirma o proprietário da Bamberg, Alexandre Bazzo. Por isso, a empresa aposta no Bamberg Express, um serviço de entrega de chopp. "As vendas para o consumidor final crescerão", diz. Ainda de acordo com Bazzo, o serviço já representa 35% das vendas anuais da empresa.

Alimentos - O primeiro trimestre deste ano também registrou um aumento de 6,4% na produção de alimentos. Entre os fabricantes otimistas com o campeonato estão muitas companhias de snacks. Segundo a Nielsen, durante o Mundial de 2010, a venda de salgadinhos no Brasil cresceu 11% ante o mesmo período do ano anterior, gerando uma receita de R$ 68 milhões. Atenta a isso, a Hikari projetou um crescimento de 40% em suas vendas durante este período. A empresa também leva em conta a chegada das festas juninas como um motivador sazonal de vendas.

Na linha de produtos sazonais - formada por itens como farofa, pipoca e amendoim - o avanço pode chegar na casa dos 30%. "A Copa conciliará com um período importante, a festa junina. Já percebemos uma alta no derivado de mandioca e pipoca. Não sabemos se isso está relacionado à Copa, mas acreditamos na alta", diz o gerente de marketing da Hikari Alimentos, Luiz Fernando Alves.

 

Fonte: Jornal DCI - Por: Bruna Kfouri